Sábado, 8 de Março de 2008

Pesquisas que nos interessam.

Em uma edição recente da revista Veja há uma matéria a respeito de uma máquina, desenvolvida com patrocínio da Nasa, para ser usada no tratamento de osteosporose. A máquina consiste numa plataforma que vibra, causando microlesões nos ossos; essas microlesões estimulam as células produtoras de ossos, os osteoblastos, a trabalharem num ritmo mais intenso, causando um aumento na densidade óssea.

Esse assunto é de interesse da agência espacial norte-americana devido ao fato de que astronautas em longas viagens espaciais sofrem perda de massa óssea, especialmente em ossos do quadril. Ao voltar à terra, os astronautas recuperam parte dessa massa, aumentando o tamanho dos ossos; em idosos existe um mecanismo parecido, de aumento do tamanho dos ossos para compensar a perda de densidade óssea. Assim, pesquisas em osteosporose na Terra e em perda de densidade óssea no espaço se complementam.

Provavelmente a primeira imagem que nos vêm à cabeça quando ouvimos a palavra Nasa é o homem pisando na Lua. É natural que a imagem da agência espacial norte-americana esteja associada com a exploração espacial (e suas conotações políticas), e com pesquisa básica, de maneira geral. De fato, avanços importantes nos nossos conhecimentos do universo têm sido possíveis em parte devido à observação astronômica.

Figura 1: pegada na Lua.

Embora seja importante a busca pelo conhecimento e pela compreensão do universo (pesquisa básica), essa busca custa dinheiro (bastante dinheiro), e é importante saber que pelo menos parte dos recursos usados em pesquisas são utilizados para melhorar nossas vidas, tendo aplicações práticas no nosso dia-a-dia (pesquisa aplicada).

A estação espacial internacional, também conhecida por ISS (sua sigla em inglês) é formada por estruturas construídas por Estados Unidos, Rússia, Japão, Canadá e países europeus. A ISS possui três laboratórios de pesquisas: Destiny (americano), Columbus (europeu) e Kibo (japonês). São experimentos em medicina espacial, biologia, biotecnologia, observações da Terra, produção de materiais, e pesquisa em comunicações, entre outros.

Um exemplo de pesquisa que pode influenciar nosso cotidiano é a análise da mudança de virulência induzida pelos vôos espaciais, que pode oferecer informações úteis no desenvolvimento de vacinas, tratamentos e controle de doenças infecciosas tanto no espaço quanto na Terra.

Figura 2: bactéria salmonella typhimurium.

Outro estudo que vai na mesma linha é o cultivo de células de câncer em microgravidade. Dentro do corpo humano as células crescem formando uma estrutura tridimensional, mas fora do corpo humano (em laboratório) as células tendem a crescer na forma de folhas (bidimensional); em microgravidade as células tendem a crescer em três dimensões, replicando o formato de suas estruturas no corpo humano. Assim, pode-se estudar em laboratório as células em forma mais próxima daquela que ocorre naturalmente no corpo humano, auxiliando no estudo do câncer.

Figura 3: célula de câncer de ovário em condições de microgravidade.

Testes de materiais e revestimentos no espaço permitem aumentar a vida útil, melhorar a performance, e reduzir o custo de satélites (meteorológicos, de comunicações, e de observação terrestre), dos quais todos dependemos. Nas figuras abaixo vemos materiais sendo expostos à luz solar, calor e frio intensos do espaço, para avaliação de sua durabilidade.

Figura 4: close na mesa de teste, aberta e exposta ao espaço.


Figura 5: localização da mesa de teste na estação espacial internacional.

A Estação Espacial Internacional ainda está em processo de montagem, e deve estar completa em 2010.


[1] http://vejaonline.abril.com.br/
[2] http://www.nasa.gov/

1 comentários:

gisele disse...

Oi Alexandre, que maximo seu blog! adorei os assuntos.... super interessantes!

Bjosss
Gi